Mostrando postagens com marcador Notícia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Notícia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Seminário debate prioridades para mulheres negras no século XXI


O dia 25 de julho é consagrado internacionalmente à Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Para marcar a data especial, ocorrerá, na cidade brasileira de São Paulo, o II Seminário Internacional da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, entre os dias 22 e 23.
Realizado pela Secretaria Municipal de Participação e Parceria em Parceria da Prefeitura de São Paulo, Coordenadoria dos Assuntos da População Negra (Cone), organização Elas por Elas Vozes e Ações das Mulheres e Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania, o evento pauta as prioridades das mulheres negras para o século XXI, a partir de conferências e palestras.
Coordenadora da Cone, Maria Aparecida de Laia considera que ganhar visibilidade é uma das principais questões para as mulheres negras. “Nós temos que ganhar visibilidade em todos os espaços de poder, como mídia, mercado de trabalho, família”, analisa.
Na opinião dela, é a discriminação racial que causa a invisibilização das mulheres negras na sociedade. “Isso gera opressão, porque as mulheres são excluídas, principalmente do mercado de trabalho”, afirma.
O seminário objetiva ainda “trazer a discussão da identidade étnicorracial do ponto de vista da América Latina, debater o trabalho doméstico, políticas públicas, tráfico de mulheres, empreendedorismo para mulheres negras, e papel das mulheres negras jovens, porque essa população cuidará do futuro”, explica a coordenadora.
São esperados cerca de 200 participantes, entre mulheres, militantes de movimentos negros, gestores e funcionários públicos e estudantes.
Na abertura, haverá a conferência “Ressignificação da identidade étnicorracial das afrodescendentes a partir da Diáspora – A Mulher Afro-Latino Americana e Caribenha: Quais prioridades no século XXI?” com a representante da Rede de Mulheres Afro-latinoamericanas, caribenhas e da Diáspora no Uruguai, Vicenta Camusso Pinto.
Os momentos seguintes contam com a participação de diversos (as) estudiosos (as) e organizações feministas, como Instituto da Mulher Negra, Articulação de Mulheres Negras, ONG Criola, Afro-Negócios Feira Preta, Associação Frida Khalo e Coletivo Jovens Feministas de São Paulo.
Já o encerramento está a cargo de Cristiane Sobral, autora do livro de poemas “Não vou mais lavar os pratos, que será lançado durante o seminário pela editora Athalaia.
Acesse a programação completa: http://telecentros.sp.gov.br/img/arquivos/prog_sem_mulheres_negras.pdf
Serviço
O II Seminário Internacional da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha ocorrerá no Auditório da Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, que fica no Pátio do Colégio, 184, Centro. Inscrições e mais informações pelo telefone da Cone (11) 3113-9750.
Via - Correio Brasil

[ ... ]

sábado, 2 de julho de 2011

Salário baixo e mulher negra marcam trabalho doméstico

Foto: Getty Images
Foto: Salário baixo e mulher negra marcam trabalho doméstico
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou hoje um estudo sobre a situação das trabalhadoras domésticas no País. A pesquisa mostra que alguns avanços foram obtidos entre 1999 e 2009 - período de abrangência do trabalho -, com ligeiro aumento no nível de formalização e de anos de estudo. Mas revela também que o trabalho doméstico permanece como um espaço marcado por baixa remuneração (média abaixo do salário mínimo) e fracos índices de organização (sindicalização).
O Ipea destaca que o cenário do trabalho doméstico no Brasil é preenchido principalmente por mulheres e envolve, em maior grau, as mulheres negras. As trabalhadoras domésticas negras, por sua vez, contam com condições piores nas relações laborais. O estudo mostra, ainda, que está avançando a idade média das trabalhadoras do setor, pois as jovens têm procurado novas possibilidades ocupacionais.
No total, as mulheres correspondem a 93% dos trabalhadores domésticos, uma proporção que não variou ao longo da década, destaca o Ipea. As mulheres negras representavam, em 2009, 61,6% do total de mulheres ocupadas no setor. A participação das mulheres negras aumentou ao longo do tempo, pois em 1999, este grupo respondia por 55% do total. Do conjunto geral de mulheres ocupadas em 2009, 17% (6,7 milhões) tinham o trabalho doméstico como principal fonte de renda, contra apenas 0,95% dos homens.
O universo dos empregados domésticos envolve um grupo expressivo de trabalhadores no Brasil. Segundo o Ipea, o trabalho doméstico remunerado empregava, em 2009, cerca de 7,2 milhões de pessoas, ou seja, 7,8% do total de ocupados no País. A maior parte das vagas era preenchida por mulheres negras. "O perfil dessa ocupação remonta não só às raízes escravistas da sociedade brasileira, mas também às tradicionais concepções de gênero, que representam o trabalho doméstico como uma habilidade natural das mulheres", cita o estudo.
Gênero, cor e renda
Na divisão por gênero, entre os trabalhadores domésticos os homens ganham mais que as mulheres. O Ipea apurou que os trabalhadores do sexo masculino nesse setor tiveram rendimento médio de R$ 556,73 por mês em 2009. Trata-se de um valor 44% superior ao recebido pelas mulheres, que apuraram rendimento médio de R$ 386,45 por mês (R$ 364,84 para as negras e R$ 421,58 para as brancas). O salário mínimo nacional, naquele ano, era de R$ 465,00 por mês.
O Ipea identificou diferenciação de funções entre homens e mulheres contratados como trabalhadores domésticos. Os homens assumem posições como caseiros, motoristas e jardineiros. Às mulheres cabem as tarefas de cuidado com a casa e com as crianças.
O trabalho doméstico representava 21,8% da ocupação das mulheres negras em 2009, ante 12,6% das trabalhadoras brancas, destaca o Ipea. "Este fenômeno está relacionado a uma herança escravista da sociedade brasileira que combinou-se com a construção de um cenário de desigualdade no qual as mulheres negras têm menor escolaridade e maior nível de pobreza e no qual o trabalho doméstico desqualificado, desregulado e de baixos salários constitui-se numa das poucas opções de emprego", cita o estudo.
Segundo o Ipea, as condições de "baixas rendas e de significativa importância destas para a renda familiar levaram a uma situação na qual, em 2009, 37,6% dos domicílios chefiados por trabalhadoras domésticas se encontravam abaixo da linha de pobreza". Essa linha de pobreza considera meio salário mínimo per capita. Em 1999, no entanto, esse índice chegava a 55,6%.
Portal Exame
[ ... ]